Para comemorar os 400 anos de São Luís, quero compartilhar com vocês um
pouco da história da minha amada cidade. Venham comigo nessa viagem ao passado!
Os portugueses chegaram em
1500 para dominar as terras brasileiras, destinadas a eles pelo Tratado de
Tordesilhas (1494), porém, não conseguiram ocupar todas as regiões como
territórios de seus domínios. Assim, o Rei de Portugal dividiu esse enorme
território chamado de Capitania Hereditária, a fim de serem conquistadas por
nobres e desbravadores advindos do seu reino.
A Capitania do Maranhão, que
abrangia a Ilha de São Luís, foi destinada ao nobre e rico português João de
Barros. Entretanto, a primeira expedição datada do ano de 1535 (composta de dez
navios, 900 homens e 113 cavalos), fracassou devido o naufrágio de algumas naus
nas cercanias da ilha, inviabilizando a expedição.
Já em 1554, a segunda
expedição com investimento de outro donatário, composta de três navios e doze
caravelas, também naufragou nas proximidades da ilha. Dessa forma, os
portugueses ficaram por muito tempo sem colonizar São Luís.
Eis que chegam os franceses!
Para os franceses, quem
chegasse primeiro poderia ocupar, usufruir e colonizar a terra. E foi o que
fizeram. Começaram a freqüentar a costa do Maranhão e fizeram amizade com os
índios.
Com o objetivo de fundar a
França Equinocial, em 1612 a França decidiu implantar definitivamente na ilha
uma colônia. Para tanto, trouxeram quinhentos homens em três navios, as naus Regence,
Charlotte e o patacho Sain’t Anne, missão comandada pelo fidalgo Daniel de La
Touche, senhor de La Ravardiére.
Junto com a missão vieram os
padres capuchinhos Frei Ambrósio d’Amiens, Frei Ivo d’Evreux, Frei Arsênio de
Paris e o Frei Claude d’Abbeville. Aqui encontraram os primeiros habitantes da
ilha, os índios maranhanguaras, um dos grupos da nação Tupinambá, antropófagos,
pois acreditavam que ao travar guerras com outros grupos indígenas (que era
parte de seus rituais), adquiriam o espírito guerreiro que o outro possuía, ou
resgataria os de seus ancestrais, abatidos pelos inimigos. Viviam da pesca,
caça e agricultura. Moravam em aldeias com até quatro grandes ocas, construídas
de madeira e palha de palmeiras.
Os Tupinambás denominavam a
ilha de Upaon-açu, em português, Ilha Grande. Aos franceses, chamavam de
ayurujuba, o mesmo que “papagaios
amarelos”, por serem louros ou ruivos e falarem muito. Já aos portugueses, chamavam
de peró, isto é, ”tubarões”, ou “os que vem pelo mar”.
Os franceses ao chegarem na
Ilha de Upaon- Açu conforme denominavam os Tupinambás, construíram um forte na
área em que atualmente se encontra o Palácio dos Leões, e batizaram de Saint
Louis, na mesma data em que rezaram a primeira missa consolidando o domínio: 8 de setembro de 1612. Esta data ficou
marcada como a fundação da cidade de São Luís.
Conforme frei Claude d’
Abbeville, existiam na Ilha 12.000 índios Tupinambás, distribuídos em 27
aldeias, cinco delas próximas ao Forte São Luís: Juniparão, Janovarem, Timbó,
Igapó e Pedras Verdes.
Os contínuos conflitos para
aprisionamento de índios e as desconfianças mútuas de colonos e nativos,
favoreceu a redução da população indígena e, em muitos casos, o extermínio de
tribos inteiras, já no século XVII.
Em 1615, os franceses foram
surpreendidos por um grupo comandado por Alexandre de Moura, acompanhados de
índios, chegando por terra até um ponto banhado pela Baía de São José, próximo
a uma reentrância de água no continente denominada de Baía de Guaxenduba.
Naquele local, que chamaram
Icatu, construíram o forte de Santa Maria de Guaxenduba. Ali foi travada a
famosa Batalha de Guaxenduba que culminou na expulsão dos franceses.
Os portugueses ocuparam a
ilha e planejaram a cidade de São Luís, sob o comando de Jerônimo de
Albuquerque. Havia aqui muitos índios, em diversas aldeias, além de alguns
franceses que ficaram casados com nativas. Assim, com o intuito de garantir
definitivamente a posse da terra, em 1619 chegou a São Luís, a primeira
imigração açoriana para as Américas, de forma organizada.
Os açorianos que chegaram na
Ilha de São Luís, iniciaram plantações de cana de açúcar e engenhos utilizando
trabalho indígena. Eram raros os escravos africanos, ausência suprida por
índios escravos.
Do mesmo modo que os
franceses, os holandeses também pretendiam fazer de São Luís uma colônia de seu
país.
No dia 25 de novembro de
1641 entraram facilmente na Baía de São Marcos, na foz do Rio Bacanga,
desembarcando as tropas no Porto do desterro, ao pé da Igreja do mesmo nome.
Saquearam a igreja e
declaram dominada a cidade. Os holandeses foram expulsos em 1644.
Essa é um pouco da história
dessa cidade, fundada por franceses, colonizada por portugueses e invadida por
holandeses. Mas nossa história não fica por aqui, tem muito a ser contado,
revisitado, visto e explorado.
A ilha de Upaon-Açu, batizada de São
Luís – em homenagem ao Rei Luís XIII, é também conhecida como, Cidade dos Azulejos – devido ao grande
acervo arquitetônico, na qual muitos casarões foram revestidos de azulejos
trazidos de Portugal, para diminuir os efeitos do calor e umidade, tornando-se
dessa forma uma característica ímpar dentre as capitais brasileiras, sendo
declarada Patrimônio Cultural da
Humanidade pela UNESCO, em 1997 ; Atenas
Brasileira – por ser a cidade natal de romancistas e poetas famosos como:
Gonçalves Dias autor da “Canção do Exílio”, Graça Aranha e Aluísio de Azevedo,
autor de “O Mulato” e o “O Cortiço”; Jamaica
Brasileira, pelo fato dos ludovicenses terem consagrado o REGGAE, como um
ritmo tão popular que em cada canto da ilha se encontra um clube de reggae com
seus paredões de radiola que fazem a alegria desse povo miscigenado. Parabéns, São Luís do Maranhão! E que
venha mais 400 anos.



Bom dia querida!
ResponderExcluirMuito boa essa sua postagem. É muito bom pra fazer as pessoas conhecerem um pouco do nosso estado, pra mostrar que aqui não temos somente pobreza e miséria. Muito mais que isso, temos um estado rico em vários aspectos: recursos hídricos, presença de vários biomas, etc.
Nos 400 anos do Maranhão, vale recontar a história de sua fundação. Um abraço