sábado, 8 de setembro de 2012

ILHA BELA SÃO LUÍS por ZECAMARANHÃO

Poema de Gonçalves Dias

Canção do exílio


Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 
 
De Primeiros cantos (1847)
Gonçalves Dias

SÃO LUÍS 400 ANOS




Para comemorar os 400 anos  de São Luís, quero compartilhar com vocês um pouco da história da minha amada cidade. Venham comigo nessa viagem ao passado!
 
Os portugueses chegaram em 1500 para dominar as terras brasileiras, destinadas a eles pelo Tratado de Tordesilhas (1494), porém, não conseguiram ocupar todas as regiões como territórios de seus domínios. Assim, o Rei de Portugal dividiu esse enorme território chamado de Capitania Hereditária, a fim de serem conquistadas por nobres e desbravadores advindos do seu reino.

A Capitania do Maranhão, que abrangia a Ilha de São Luís, foi destinada ao nobre e rico português João de Barros. Entretanto, a primeira expedição datada do ano de 1535 (composta de dez navios, 900 homens e 113 cavalos), fracassou devido o naufrágio de algumas naus nas cercanias da ilha, inviabilizando a expedição. 

Já em 1554, a segunda expedição com investimento de outro donatário, composta de três navios e doze caravelas, também naufragou nas proximidades da ilha. Dessa forma, os portugueses ficaram por muito tempo sem colonizar São Luís.

Eis que chegam os franceses!

Para os franceses, quem chegasse primeiro poderia ocupar, usufruir e colonizar a terra. E foi o que fizeram. Começaram a freqüentar a costa do Maranhão e fizeram amizade com os índios.

Com o objetivo de fundar a França Equinocial, em 1612 a França decidiu implantar definitivamente na ilha uma colônia. Para tanto, trouxeram quinhentos homens em três navios, as naus Regence, Charlotte e o patacho Sain’t Anne, missão comandada pelo fidalgo Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiére.

Junto com a missão vieram os padres capuchinhos Frei Ambrósio d’Amiens, Frei Ivo d’Evreux, Frei Arsênio de Paris e o Frei Claude d’Abbeville. Aqui encontraram os primeiros habitantes da ilha, os índios maranhanguaras, um dos grupos da nação Tupinambá, antropófagos, pois acreditavam que ao travar guerras com outros grupos indígenas (que era parte de seus rituais), adquiriam o espírito guerreiro que o outro possuía, ou resgataria os de seus ancestrais, abatidos pelos inimigos. Viviam da pesca, caça e agricultura. Moravam em aldeias com até quatro grandes ocas, construídas de madeira e palha de palmeiras.

Os Tupinambás denominavam a ilha de Upaon-açu, em português, Ilha Grande. Aos franceses, chamavam de ayurujuba, o mesmo que “papagaios amarelos”, por serem louros ou ruivos e falarem muito. Já aos portugueses, chamavam de peró, isto é, ”tubarões”, ou “os que vem pelo mar”.
Os franceses ao chegarem na Ilha de Upaon- Açu conforme denominavam os Tupinambás, construíram um forte na área em que atualmente se encontra o Palácio dos Leões, e batizaram de Saint Louis, na mesma data em que rezaram a primeira missa consolidando o domínio: 8 de setembro de 1612. Esta data ficou marcada como a fundação da cidade de São Luís. 

Conforme frei Claude d’ Abbeville, existiam na Ilha 12.000 índios Tupinambás, distribuídos em 27 aldeias, cinco delas próximas ao Forte São Luís: Juniparão, Janovarem, Timbó, Igapó e Pedras Verdes.

Os contínuos conflitos para aprisionamento de índios e as desconfianças mútuas de colonos e nativos, favoreceu a redução da população indígena e, em muitos casos, o extermínio de tribos inteiras, já no século XVII.

Em 1615, os franceses foram surpreendidos por um grupo comandado por Alexandre de Moura, acompanhados de índios, chegando por terra até um ponto banhado pela Baía de São José, próximo a uma reentrância de água no continente denominada de Baía de Guaxenduba.
Naquele local, que chamaram Icatu, construíram o forte de Santa Maria de Guaxenduba. Ali foi travada a famosa Batalha de Guaxenduba que culminou na expulsão dos franceses. 

Os portugueses ocuparam a ilha e planejaram a cidade de São Luís, sob o comando de Jerônimo de Albuquerque. Havia aqui muitos índios, em diversas aldeias, além de alguns franceses que ficaram casados com nativas. Assim, com o intuito de garantir definitivamente a posse da terra, em 1619 chegou a São Luís, a primeira imigração açoriana para as Américas, de forma organizada.  

Os açorianos que chegaram na Ilha de São Luís, iniciaram plantações de cana de açúcar e engenhos utilizando trabalho indígena. Eram raros os escravos africanos, ausência suprida por índios escravos.

Do mesmo modo que os franceses, os holandeses também pretendiam fazer de São Luís uma colônia de seu país.

No dia 25 de novembro de 1641 entraram facilmente na Baía de São Marcos, na foz do Rio Bacanga, desembarcando as tropas no Porto do desterro, ao pé da Igreja do mesmo nome.

Saquearam a igreja e declaram dominada a cidade. Os holandeses foram expulsos em 1644.

Essa é um pouco da história dessa cidade, fundada por franceses, colonizada por portugueses e invadida por holandeses. Mas nossa história não fica por aqui, tem muito a ser contado, revisitado, visto e explorado.

A ilha de Upaon-Açu, batizada de São Luís – em homenagem ao Rei Luís XIII, é também conhecida como, Cidade dos Azulejos – devido ao grande acervo arquitetônico, na qual muitos casarões foram revestidos de azulejos trazidos de Portugal, para diminuir os efeitos do calor e umidade, tornando-se dessa forma uma característica ímpar dentre as capitais brasileiras, sendo declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, em 1997 ; Atenas Brasileira – por ser a cidade natal de romancistas e poetas famosos como: Gonçalves Dias autor da “Canção do Exílio”, Graça Aranha e Aluísio de Azevedo, autor de “O Mulato” e o “O Cortiço”; Jamaica Brasileira, pelo fato dos ludovicenses terem consagrado o REGGAE, como um ritmo tão popular que em cada canto da ilha se encontra um clube de reggae com seus paredões de radiola que fazem a alegria desse povo miscigenado. Parabéns, São Luís do Maranhão! E que venha mais 400 anos.